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Caroline Soares de Almeida

Resumo

Estima-se que as brasileiras começaram a praticar futebol durante a década de 1910, quando os jogos entre mulheres passaram a ser noticiados nas páginas dos jornais. O caráter violento atribuído a esse esporte passou a preocupar diferentes setores da sociedade que viam o Futebol Feminino como problema de saúde pública e de ordem moral. Vinte anos depois, deu-se início à discussão sobre o assunto na esfera governamental, resultando na proibição do futebol às mulheres. Este artigo tem como objetivo a análise dos debates em torno da prática do futebol por mulheres entre as décadas de 1920 e 1940 que levaram à proibição na forma do Artigo 54 do Decreto-Lei criador do Conselho Nacional de Desporto (CND) em 1941 e, por conseguinte, a institucionalização de uma economia moral que atravessou grande parte do século XX.

Nuno Domingos and Victor Pereira

Résumé

Ce texte introduit les problématiques étudiées dans ce dossier consacré aux interactions entre sport et nationalismes : les discriminations de genre, le rituel nationaliste dans le stade, l’influence de la religion dans l’organisation sportive, les logiques de stratification sociale associées à la pratique et à la consommation du sport ou la dépolitisation favorisée par cette même consommation.

L’introduction dessine également un agenda de recherche qui promeut la méthode comparative. En effet, si l’univers de la Lusotopie a permis la création de son propre champ de comparaisons, certaines contributions de ce dossier suggèrent l’intérêt d’étendre l’exercice comparatif à d’autres périodes et espaces.

Estado, riqueza e criminosos

Nota introdutória por Michel Cahen e Isabel Raposo

Christian Geffray†

Resumo

Apresenta-se uma reflexão sobre a criminalização das atividades dos representantes dos Estados, que resulta de um estudo de casos (o narcotráfico num Estado da Amazônia brasileira). Distingue-se duas fontes de rendas ilegais – as atividades criminais e o desfalque de fundos ou serviços públicos –, cuja captação supõe o recurso com dois princípios genéricos de corrupção, a neutralização e o abuso de poder do Estado. Devem ser distinguidas duas formas não mercantis de colocação em circulação da riqueza: os manás dos clientes (legais ou ilegais) e as quotas de direito de cidadãos. A reflexão sobre o Estado e a sua corrupção não parece por ser levado de forma satisfatória, a não ser que se percebe (como para qualquer instituição) de que forma é garantido o ideal que comenda e legitima a sua existência social. Tratando-se do Estado, este ideal é o bem público.

Christine Messiant†

Resumo

O surgimento, em 1996, da Fundação Eduardo dos Santos é resultado de um processo de privatização do Estado angolano. No entanto, a FESA também faz parte de uma estratégia presidencial que procura responder a múltiplos desafios: a não resolução do conflito armado, a exacerbação das rivalidades no seio do poder e a gravidade da crise social em virtude do esforço de guerra, da predação e da corrupção.

Paulo de Medeiros

Abstract

Lusophony is a neo-colonial concept that only emerges once the Empire is irrevocably dissolved. Whereas Lusophony cannot escape its neo-colonial entanglements, Lusotopy, on the contrary, strives precisely not only to go beyond, but against them. This article reflects on the ways in which literature, film, or ‘tuga’ hip-hop music, strive to advance transnational forms of resistance to unending and ever renewed kinds of oppression. Focusing on Lusotopy one can hope to work towards constructing a different future that builds on all the riches and all the wounds, many not yet healed, of the intersections derived from Portuguese colonialism.

João de Pina-Cabral

Resumo

O nosso mundo contemporâneo é global no sentido de que se tornou um espaço indiviso de intercomunicação humana – uma ecumene, no sentido de uma rede de redes. Dentro deste vasto espaço, porém, é possível identificar zonas no interior das quais a intercomunicação ocorre com mais densidade. Esta noção não tem recebido a atenção analítica que merece – tal como sugeriu Sidney Mintz, quando propôs que o Caríbe fosse concebido como uma ecumene. Também Tolkien, na sua escrita ficcional, atribuiu especial peso à noção, recorrendo à expressão “a terra do meio”. O presente ensaio sustem que a partilha de um passado histórico comum funciona como um catalisador para a amicitia quer dizer, a familiariedade que resulta de viver num mundo comum. Nesse sentido, o ensaio propõe que o espaço/tempo que origina da expansão histórica dos portugueses (a lusotopia) deva ser concebido como uma “terra do meio”, onde a proximidade e a distância, a amizade e o conflito se mobilizam com especial intensidade.

Michel Cahen and Irène Dos Santos

Abstract

The introduction of this issue goes back over the history of the creation of the Lusotopie journal. It also questions the scope of the concept of lusotopy in the social sciences. The intellectual project of the journal, published from 1994 onwards, was complex and ambitious. Lusotopie is not a review of “cultural-area” studies, but a generalist review of political analysis, in the broadest sense, from an empirically-delimited research field: that of the area drawn by Portuguese history and colonization. It was both to escape the contemporary neo-imperial approach of “Lusophony” and to overcome the simply negative criticism of the ideology of Lusophony (in its literary, political and economic aspects), which as such does not provide a tool for understanding the realities produced by history.

António Pinto Ribeiro

Resumo

O termo lusofonia tem sido aceite e até proclamado como estratégia de entendimento entre as comunidades de Portugal e dos PALOPs como um facto inquestionável. Para que tal aconteça o termo tem sido mascarado como sendo uma emanação do português como língua oficial destes países. No entanto isto é uma falácia. A sustentar este termo está a ideia de que todas as culturas dos PALOPs se inspiram na matriz de uma cultura portuguesa essencialista associada ao luso-tropicalismo teorizado por Gilberto Freyre. Conclui-se que a lusofonia na verdade é uma forma de neo-colonialismo de Portugal ao qual não são indiferentes os vários interesses dos negócios entre as elites destes países.

António Sousa Ribeiro and Margarida Calafate Ribeiro

Abstract

The article discusses the concept of postmemory, demonstrating its productivity through an analysis of the memorialization of the Colonial War in the contemporary Portuguese context. Drawing on the results of two research projects carried out at the Centre for Social Studies of the University of Coimbra, different aspects of the production of postmemory by members of the second generation are presented, with particular, but not exclusive, emphasis on the domain of the arts.

Sébastien Rozeaux

Résumé

L’indépendance du Brésil en 1822 reconfigure les relations et circulations culturelles entre le Portugal et son ancienne colonie. À compter du milieu du siècle, ces relations se font plus intenses, alors que l’émigration portugaise à destination du Brésil ne cesse de croître. Ce pays-continent attire les migrants comme il suscite les convoitises des hommes de lettres portugais qui perçoivent le Brésil comme une “terre d’avenir”, une aubaine pour leur carrière, compte tenu des liens confraternels qu’ils cultivent et entretiennent avec leurs compères et le lectorat brésiliens, au nom d’une culture, d’une langue ou d’une histoire qu’ils auraient en partage.